Uma Caminhada Pela História do Município de Iúna

caminhada

A Casa do Mochileiro realiza no próximo dia 25 de Abril uma Caminhada Ecológica até um dos pontos de visitação turística do município de Iúna: o Cemitério dos Escravos. Voltado para a prática de esportes e a educação ambiental, o evento tem participação gratuita e é aberto a todas as idades.

Serão no total 13km de caminhada (ida e volta), com saída prevista para ás 6H em frente o Ginásio de Esportes de Iúna. Para participar basta que você chegue ao ponto de encontro no horário marcado. Clique aqui e saiba como chegar ao local ou acesse o mapa abaixo.

Dica: siga todas as nossas aventuras no Strava.

O que é uma Caminhada Ecológica?

mochila
Pratique exercícios com regularidade.

É uma atividade educativa e recreativa que envolve a incorporação de princípios ecológicos traduzidos na prática de Educação Ambiental, entendida como processos críticos de aprendizagem, sensibilização, tomada de posição e mudança de atitudes perante a natureza. Os locais de visita em caminhadas ecológicas podem ser remanescentes florestais, unidades de conservação ou áreas particulares, em diferentes estágios de conservação, sendo que até áreas em recuperação podem se prestar a visitas, desde que possuam atrativos educacionais relevantes.

Em nossa caminhada, visitaremos um sítio histórico localizado a 7KM do centro de Iúna. O local foi reconhecido pelas autoridades da cidade como onde teriam sido enterrados os escravos da chamada Fazenda da Saudade.

Dica de Leitura: Ecoturismo no Caparaó: tudo o que você precisa saber sobre o tema

Acompanhe no post abaixo uma reportagem de 2013 encontrada no Blog Oficial da Academia Iunense de Letras sobre este sítio histórico.

Cemitério dos Escravos é Visitado por Estudantes em Iúna

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Visitantes fazem caminhada até o Cemitério dos Escravos em Iúna. Foto: Acervo Roner Braga Padilha

Antes lembrado nas escolas e divulgado como um ato cívico, a data da Abolição da Escravatura (13 de maio em 1888 – dois anos antes da emancipação de Iúna), uma luta de muitos brasileiros e de além-mar, está agora circunscrita aos grupos e ong’s que celebram a data, historiadores, regiões históricas de resistência dos negros e uns poucos locais onde são homenageados e lembrados um dos pilares da construção do Brasil Império e até hoje sustentam a economia nacional: os negros. A igualdade racial ainda está na pauta dos dias atuais, com os Doutores e Mestres negros que buscam suas origens.

Em Iúna, no último dia 13, mais de 130 estudantes de 1º Grau (1ª a 4ª), da Escola Municipal Delfino Batista Vieira, distrito de Nossa Senhora  das Graças – (Perdição ou Manduca historicamente), liderados pela Diretora Elis Regina Vieira Cezar Mariano, a Pedagoga Viviane Lopes Batista, Professores e estagiárias de uma faculdade, caminharam por cerca de 2 km, para visitar e conhecer, o local de um ‘’cemitério de escravos’’, mandado construir pelo Capitão João Ignácio de Almeida, mineiro, que por sua participação na guerra do Paraguai, recebeu uma ‘’sesmaria’’ de 1400 alqueires, na localidade denominada ‘’Floresta’’ (Córrego dos Perdidos). O Imperador não tinha como pagar os combatentes e então ‘’doou’’ terras.

Capitão João Ignácio, trouxe de Minas Gerais, 60 escravos ‘’de eito’’ (canela fina que denotava bom de serviço). A economia girava em torno da cana de açúcar, milho, feijão e arroz. O Capitão é considerado um dos pioneiros de Iuna, já que suas terras iam dos Figueiredo até Alegre (Ibitirama) – denominada Fazenda Saudade. Com a morte das pessoas e dos negros, um cemitério só para estes foi construído, pois os escravos eram ‘’uma alma maligna’’ que poderiam assombrar a sede da fazenda. O que não impedia que os escravos ‘’mais queridos’’, fossem batizados, casassem com brancas e enterrados em Iúna sede.

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Informações sobre aquela época da história são esparsas. Quem divulga algumas em Iuna, são os Professores Renaldo Gabriel Martins (professor de História – arquivos da Escola) e José Olimpio de Almeida (Presidente da Academia Iunense de Letras – ver Blog da Academia). Em busca de mais informações, fizemos também contato com Neli Maria Cezar Pereira, 65, Lider Comunitária, fundadora da 1ª associação de moradores de Perdição, entre os anos 92/93. Ela confirmou as informações dos professores, mas disse conhecer alguém, que tinha contato com uma descendente do Capitão João Ignácio (uma bisneta). Conhecemos então, Ana Cesar Fontoura, 61 casada com Romildo Fontoura, 65.

De acordo com D. Ana, sua sogra, Alaydes Mota Fontoura, uma das donas do local, mandou em 1988, nos 100 anos de Iuna, marcar um terreno de aproximadamente 10 x 10 metros, com um cruzeiro e que ali fosse lembrada a memória dos escravos, com celebração religiosa, já que o local original estava sendo tomado por plantações. Na época, foi celebrada uma missa pelo padre Ivo Ferreira de Amorim. Segundo Dona Ana, uma bisneta do Capitão João Ignácio, estava escrevendo um livro sobre a família, e possuía mais informações.

Esta reportagem de 2013 pode ser lida por completo no Blog Oficial da Academia Iunense de Letras clicando aqui.

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