3 Lendas do Caparaó Que Você Precisa Conhecer

3 lendas do caparaó

A região do Caparaó sempre foi cercada por lendas desde tempos remotos.

O misticismo e a religiosidade fazem parte do dia-a-dia do povo, seja do nativo ou daqueles que aqui decidem viver e morrer.

Geralmente voltadas a um povo extinto há muito tempo, e perdido nos confins da história, essas lendas nos transportam para um tempo onde a vida era mais simples e as preocupações se resumiam a comida e abrigo.

O único bem que eles preservavam como a própria vida era a liberdade.

A Lenda dos Caparaós, Capítulo 5

Neste post vou trazer 3 lendas conhecidas na região e que tem o seu devido aspecto a ser explorado pelos guias turísticos. Leia, compartilhe e programe sua viagem para conhecer esse lugar incrível chamado Caparaó.

Você vai ler neste post

  • Lenda dos Caparaós
  • Lenda da Água Santa
  • Lenda da Pedra Menina

A todos que pelo privilégio da vida descobriram a magia da sua existência, dedico as Lendas do Caparaó.

Roner Braga Padilha, in memoriam

Lendas dos Caparaós

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Roner Braga Padilha, Autor da Lenda dos Caparaós.

Esta é a “Lenda dos Caparaós”, uma coleção de 12 artigos de ficção criados por Roner Braga Padilha (foto, in memoriam) no ano de 1999. O autor era ocupante da Cadeira 11 da Academia Iunense de Letras (AIL) até seu falecimento em 2014.

A “Lenda dos Caparaós” conta a história de um povo que viveu há muito tempo em nossa região. Aqui, “os Caparaós” nasceram, cresceram, caçaram e se multiplicaram. Até a chegada do homem branco, que mudou tudo.

Viaje com a gente na leitura desta história incrível e conheça esta que é apenas uma das muitas lendas que circulam pela Região do Caparaó, que foi batizada pelo autor como A Montanha Sagrada do Brasil.

Clique aqui para ler a Lenda dos Caparaós

Lenda da Água Santa

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Água Santa

Na segunda metade do século XIX, ocorreu uma seca terrível em Iúna e um fato curioso chamou a atenção de alguns moradores da região – uma pequena fonte jorrava sob uma certa pedreira e tal fonte nunca secava.

Neste mesmo local, em 1862, o Frei Benito de Gênova, da ordem dos Capuchinhos, um fervoroso missionário, foi encontrado morto. A partir de então, espalhou-se a crendice que a tal água tinha poderes miraculosos, passando a ser conhecida como Água Santa.

Atualmente, o local recebe muitas romarias, procissões e todo tipo de manifestações religiosas, principalmente pagadores de promessas.

Além da fonte, lá existe a Pedra do Pecado, uma rocha que, por estar encostada numa grande pedreira, forma uma estreita fenda. E é nela que muitos fiéis passam espremidos. É preciso passar por 3 vezes seguidas, como manda a tradição, para livrar o fiel de seus pecados.

Se acontecer de alguém se agarrar, só mesmo com a ajuda de um padre e muita reza para retirar a pessoa de lá.

Clique aqui e leia outros fatos históricos sobre a Água Santa.

Lenda da Pedra Menina

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O Mochileiro (á direita) em 1999 no 5º EcoBike Amar Caparaó, chegando em Pedra Menina.

Os índios tinham a tradição do dilúvio a seu modo: quando as águas cresceram, diz a lenda, cobrindo a terra, todos os viventes pereceram. TAMANDARÉ, porém, com sua família, subiu para o olho de uma palmeira, cujos frutos sustentaram por todo o tempo que durou a inundação, até que pôde descer para tornar a povoar a terra.

José W. Emery de Carvalho, Autor

Sobrevivendo a catástrofe ecológica cíclica, TAMANDARÉ e seus familiares, com a responsabilidade de povoar a terra, já prevendo inundações futuras, que cobrirão grande parte do continente, abandonando o litoral foram se instalar nas montanhas, alojando-se na região mais elevada, donde se pode ver o mundo ou os largos horizontes dele, e observar o despontar do sol.

TAMANDARÉ teve vários filhos e filhas, salientando entre elas, uma menina morena, de cabelos negros como a Graúna, de rosto redondo, dentes brancos como marfim, com um sorriso mágico que a todos cativava.

O povoado crescia em número, dentro de uma harmonia, respeito aos antepassados, e a natureza e suas forças.

Os elementos da natureza eram considerados sagrados, como a Terra (Ibi), o Vento (Ybyty), o Fogo (Tátá), e a Água (Ig).

Tinham por divindade principal RUDÁ, o deus do amor, cuja missão é criar o amor nos corações dos homens, despertar-lhes a saudade e fazê-los voltar para a tribo, de suas longas e repetidas peregrinações.

O deus RUDÁ tinha também a seu serviço uma serpente que reconhecia as moças que se conservavam virgens, recebendo delas os presentes que lhe levavam e devorando as que haviam perdido a virgindade.

A comunidade possuía um legislador, SUMÉ, que lhes ensinara a viver em boa regra, como lhes ensinara cultivar mandioca, retornando mais tarde para o litoral desaparecendo depois para o lado do mar, em cujas praias deixara impressa, nas rochas mais duras, a planta de seus pés sagrados.

Parte da população mudou-se para o litoral, não assimilando os ensinamentos de TAMANDARÉ e SUMÉ, e invejosos prepararam um ataque a sua primitiva aldeia; TAMANDARÉ sem força material para combater os invasores, recorre ao deus RUDÁ, e é prontamente atendido.

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RUDÁ com seu poder divino, usando de meios naturais para servir de exemplo, quando os invasores tentaram penetrar na aldeia, não conseguiram, pois a mesma estava cercada por trincheiras de paus tortos para vedar a passagem (Caparaó) e por traçados de cordas (Samambaia). Com a derrota dos descontentes, tudo voltou à normalidade.

Certa feita, num dos pontos mais elevados da serra, apareceu um objeto circular e brilhante, semelhante a um disco, com cores variadas, vibrando sons harmoniosos, deixando a comunidade em êxtase.

Ao aportar no alto do monte, abriram-se as comportas, descendo figuras vultosas que a todos impressionava e procuraram logo manter contato com os principais da localidade, sendo bem acolhidos.

Os visitantes ficaram impressionados com a beleza das mulheres, principalmente a menina de cabelos longos e negros, um deles procura seduzi-la.

Opondo-se ao assédio, para não quebrar o juramento de fidelidade aos seus princípios, embrenhou-se pelas matas, sendo perseguida por um dos visitantes, e ela já sem forças, pediu a RUDÁ, sua proteção, e que não fosse tomada de presa, fosse transformada em pedra para manter-se fiel ao seu juramento.

RUDÁ, atendendo ao pedido, trasformou-a na “PEDRA MENINA”.

Os perseguidores da menina, tendo ferido a hospitalidade, foram abandonados por seus companheiros em terra e se perderam nas matas. Como castigo foram transformados em ÁRVORES ANDANTES, continuando a vagar pelas matas assombrando os caçadores.

Raízes das “Árvores Andantes” da Lenda da Pedra Menina.

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Mochileiro com tatuagem no braço

Ulisses

Fundador da Casa do Mochileiro

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